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MESA REDONDA: O PAPEL DA IMPRENSA EM TEMPOS DE GUERRA, CONFLITOS E INSTABILIDADES, QUESTÕES ÉTICAS HISTÓRICAS E EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL.

JORNADAS CIENTÍFICAS 2017


O papel da imprensa em tempos de guerra, conflitos e instabilidades  é um tema de extrema importância, tendo em conta que a Universidade Pedagogica - FCLCA introduziu, no presente ano,  o Curso de Linciatura em Jornalismo.
A mesa redonda composta pelos oradores: Prof. Doutor José Castiano, docente e pesquisador; Prof. Doutor Rafael Chicane, director de informação – TV Miramar;  Prof. DoutorCelestino Joanguete, docente e pesquisador UEM e UP e o Dr. Filipe Mabutana, jornalista da Rádio Moçambique, moderada pelo Prof. Doutor Domingos Chapala.



Segundo Chicane, falar sobre a guerra no jornalismo é reportar um ataque. Estes pronunciamentos foram feitos nos seguintes termos: “fulano de tal atacou uma certa instituição e morreram tantas pessoas e outras foram feridas (...) nos dias de hoje, falar de guerra é analisar as causas da mesma. Nos guerrilheiros, havemos de encontrar heróis só porque rebentaram uma linha férrea, mas morreram pais, mães e filhos, e mas aquele indivíduo é cantado no acampamento como herói”.
‟Fala-se muito da imprensa como quarto poder, pois eu vejo a sociedade como uma mesa que tem quatro pés onde encontramos: o poder legislativo, executivo, judicial e o quarto poder é a imprensa.  É fácil concertar estes três, mas a imprensa já não, este quarto pé é o único que tem uma medida irregular no seu funcionamento e consciência, umas vezes é curto, umas vezes é longo demais. E nestas circunstâncias em que é curto ou comprido demais, o que é que vai acontecer com a mesa? Vai ficar desequilibrada e consequentemente, verifica-se que a sociedade também vai sofrer consequências desse desequilíbrio.” Disse Chicane.

Prof. Doutor Rafael Chicane  - Tv Miramar      
Por seu turno, Dr. Mabutana, afirma que no jornalismo não existe notícia que é boa ou má, mas sim notícia que é verdade. Acrescentou também que em Moçambique uma das medidas tomadas pela FRELIMO após a independência, 25 de Junho de 1975, foi controlar a imprensa. Esta devia guiar as suas actividades centradas nos seguintes pilares: informar, educar, mobilizar e organizar a população.
Dr. Filipe Mabutana - Rádio Moçambique

Segundo Dr. Celestino Joanguete, um jornalista/investigador é aquele que de forma independente busca outra visão sobre o mesmo objecto. Ele vai buscar informações e apresenta de forma transparente. O bom jornalismo tem, a morte, a fome, entre outros do mesmo género, isto é que seria, na opinião de Joanguete, um jornalismo investigativo.
‟O que estamos a ensinar nas nossas universidades basicamente são teorias. Moçambique precisa crescerem termos de formação em jornalística de qualidade e jornalistas investigativo, pois a sociedade precisa de ter acesso a informação verdadeira e não falsa” disse Joanguete.
Prof. Doutor Celestino Joanguete, docente e pesquisador UEM e UP

Existem três factores importantes para classificarmos o que determina o trabalho do jornalista, o trabalho da imprensa no país. O primeiro é a propriedade, aquém pertence essa imprensa e onde trabalha o jornalista: “não podemos ter ilusões de que por trás de um jornal está sempre um politico”. 
                                                         Prof. Doutor José Castiano, docente e pesquisador

O segundo diz respeito à questão dos valores: o jornalismo actual caracteriza-se por histórias que podem vender muito bem na sociedade e no público em geral. E por último temos o assunto, em relação a este, verifica-se que funciona agora em Moçambique sob critério economicista segundo o qual, somente um bom escândalo pode vender bem, é por isso que grandes temas que abrangem a política, escândalos em particular sexuais, guerras, corrupção, criminalidade, beleza, desporto, entre outros. Estes grandes temas são os mais predominantes na nossa mídia. Afirma José Castiano.

Por: Enoque Daniel  (Estudante do Curso de Jornalismo)
Jaime Bonga (Estudante do curso de Ensino de Português)

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